E já se passou 1 ano!
Parece que foi ontem; parece que faz um século. Ela chegou e
tomou conta. Manda mais que a mãe (sim, é possível). Domina a rotina, dita as
regras, diz quando tenho que levantar, quando vou dormir (e se vou dormir),
informa com o que vou gastar, etc. Tudo isso sem falar nada, ou quase nada.
É impressionante como nossa vida muda. Parece clichê, mas
por mais preparado que você esteja, essas coisinhas pequenas te surpreendem e
te fazem perder o rebolado em várias situações.
Sempre sonhei em ser pai, era uma das poucas coisas que eu
tinha segurança de dizer “vou tirar de letra”. Mal sabia eu que a pequena que
viria teria tanta coisa a me ensinar sobre o que eu achava que já sabia.
A gravidez à distância é uma tortura, não recomendo. Ela
então começou a me ensinar mais sobre paciência. Contar os dias, resignado,
para ver a barriga foi um esporte desgastante praticado ao longo de quase oito
meses.
Nas ultrassonografias e exames de rotina ela me ensinava
sobre fé e espiritualidade. Acreditava que falar mentalmente com ela, perguntar
se ela estava bem, se estava tudo andando conforme o esperado e imaginá-la
respondendo positivamente às minhas perguntas ajudaria a tranquilizar a ela e a
mim naqueles momentos.
Na descoberta do sexo, ela me ensinou sobre voz interior. Os
pais não precisam do exame para descobrir o sexo, basta “escutar” um pouquinho.
Nesse momento, ela também me ensinou que não escolhemos o nome, a gente
descobre qual é. Ficamos séculos conversando sobre nomes de meninos e meninas,
querendo decidir. E quando soubemos o sexo, Mariana saiu de nossas bocas, quase
que em uníssono.
No dia do parto ela me ensinou sobre transmissão de calma e
tranquilidade. Soube pouco tempo atrás que eu não aprendi. Mas o que importa é
que ela tentou me ensinar.
Ao nascer, ela me mostrou a preciosidade e o valor da vida.
Assistir àquela cena, saber que aquela vida ali está nas suas mãos para ser
cuidada, protegida, educada... o Mastercard que me desculpe, mas ISSO sim não
tem preço.
Na primeira noite em casa ela me ensinou sobre vigília. Por
mais idiota que pareça, mesmo com o carrinho de bebê no seu quarto, é válido e
compreensível sentar-se ao lado do carrinho ao longo da madrugada para se
certificar de que o bebê está respirando.
Nos banhos e mamadas ela me ensinou, e ainda ensina, sobre a
anatomia do corpo humano. As articulações e membros do nosso corpo têm na
realidade uma finalidade mór: encaixar essas coisas pequenas e delicadas de
forma que “elas” fiquem à vontade e sintam-se seguras. Esqueça dor nas costas,
ombro, pescoço, braço, etc, Dorflex existe pra isso.
Mais recentemente ela tem me ensinado sobre comunicação,
verbal e não verbal. Eu falo, ela presta atenção; ela fala, eu sorrio; eu falo,
ela repete; ela fala, eu beijo; eu falo, ela não ouve; ela fala, eu babo.
Esses são alguns dos aprendizados percebidos ao longo deste
ano.
E pensar que foi só o primeiro...
Parabéns minha filha! E obrigado por tudo. Que Papai do Céu
continue te iluminando e nos dando saúde para continuarmos aprendendo contigo.
Papai te ama.
